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Como é imigrar para o Canadá depois dos 40 anos

Imagine o seguinte cenário: Você chegou aos 40, tem uma carreira estável no Brasil, mantem um padrão de vida confortável e seus filhos estão chegando a adolescência. Além disso, seu país não dá sinais de que, criminalidade, instabilidade política e econômica vão deixar de ser assunto do dia. Mudar-se para uma cidade de interior mais tranquila ou tranca-se em um condomínio fechado não são opções você. Se este cenário lhe parece familiar, não se espante, você faz parte de grupo que vem crescendo nos últimos anos, a dos newcomers quarentões. Meu nome é Marco Vasconcelos, tenho 45 e estou vivendo um processo de imigração no Canadá neste momento. 


Além da matéria, que você pode conferir ao longo deste post, também gravamos um vídeo com André Salles (diretor Neway) entrevistando o casal Valeria Lima Stefani (43 anos) e o Sérgio Stefani (51 anos). Nessa live, os dois falam sobre o planejamento, dificuldades encontradas, custos envolvidos, questões relacionadas aos filhos e muito mais.

Assista abaixo:

Mudar de país depois dos 40 anos pode ser um plano viável?

Infelizmente não tenho essa resposta, mas vou contar um pouco de minha história pessoal e, quem sabe, você até se inspire com ela. Para ajuda-lo a entender um pouco sobre esse processo, acho importante começar falando sobre a relação do Canadá com os quarentões.

Segundo relatório de pesquisa divulgado pela Universidade Federal Fluminense, em 2019, sobre o perfil de imigração dos brasileiros que escolheram o Canadá como nova pátria, cerca de 33% estão na faixa etária entre 21 e 30 anos, 46% entre 31 e 40 anos e, na lanterna, com pouco mas de 17%, esta a faixa etária entre 41 e 50 anos.

Já deu para perceber que somos a minoria, mas isso não me intimidou, pelo menos em teoria. A verdade é fiquei apavorado em recomeçar uma vida fora de minha zona de conforto.

Antes de começar, preciso contextualizar melhor sobre alguns processos de imigração no Canadá disponíveis para quem já passou dos 40 anos. Deixando claro que não sou um especialista no assunto.  

Programas de imigração canadense para quem esta acima dos 40 anos

Sendo bem realista, programas para quem esta acima dos 40 são poucos mesmo, a começar pelo sistema de imigração econômica, sonho de consumo para os newcomers, o Express EntryPara você ter uma idéia, faixas etárias acima de 45 anos sequer pontuam no sistema, uma vez que a idade preferencial esta entre os 20 e 29 anos. 

Leia também: “Express Entry: Canadá convida mais 4.200 em último sorteio de setembro”

Para que eu pudesse ter alguma chance de disputar vagas com candidatos na faixa dos 20 a 29 anos, eu teria que ter qualificações muito elevadas, tais como: um doutorado, ter tido alguma experiência profissional anterior no exterior (incluindo o próprio Canadá) e, é claro, dominar tanto o inglês como francês.  

Como meu título de pós-graduação, meu inglês de nível avançado e um francês básico, minhas chances com Express Entry estavam fadadas ao fracasso. Mas isso não me desanimou, pois nem só de Express Entry vive o imigrante canadense.

Do planejamento até chegada nas terras geladas do norte

Depois de alguma pesquisa na internet e alguns contatos com amigos que já estavam vivendo no Canadá, mais precisamente em Quebec, resolvemos fazer uma viagem exploratória em família em 2017 a fim de conferir com os próprios olhos como vive esse povo que fala tão bem daqui.

Em nosso plano era essencial verificar se todo esse marketing de imigração era conversa fiada, pois as vezes ficava difícil imaginar onde esse povo encontrava alguma felicidades debaixo de uma nevasca com temperaturas que vão a -20 graus de sensação térmica.

A viagem que virou nossa cabeça

Como teríamos de gastar uma bolada nessa empreitada e largar a vida que tínhamos no Brasil, preferimos dar um passo menor e investir numa viagem para o Canadá que durou 20 dias. Escolhemos ficar hospedados em apartamentos AIRBNB em 4 cidades canadenses (Toronto, Ottawa, Quebec e Montreal) para tirar nossas próprias conclusões antes de dar um passo definitivo.   

Com um pouco mais de 2 semanas conseguimos experimentar um pouco do dia a dia dos canadenses. Preferimos não alugar carro para ver como era o transporte público, fizemos supermercado para ver o preço das coisas e consumimos serviços e lazer.

Também conversamos com imigrantes de várias faixas de idade e várias fases de imigração. Isso foi muito importante para nosso entendimento de realidade, principalmente quando se fala nas perdas e nos ganhos de se imigrar.

A viagem foi realmente uma experiência que nos fez amadurar muito a idéia de imigrar de fato, mesmo conhecendo somente o verão canadense.

Fazer o processo de imigração por conta própria ou via consultoria?

Logo que voltamos para o Brasil, fizemos contato com algumas consultorias de imigração indicadas por amigos e seguimos como o plano, isso levou mais ou menos 1 ano e, em novembro de 2018, chegamos de mala e cuia em pleno início de inverno canadense para começar nossa virada de chave.

Muitos de meus amigos nos perguntam até hoje porque eu não fiz meu processo sozinho? Porque contratei uma consultoria para imigrar? Então, o que posso dizer sobre isso é, estando numa faixa etária acima dos 40, mais complicada para imigrar, implica em muito tempo para ler dezenas de páginas sobre legislação, fazer contato com instituições de ensino, governo e tantas outras ações necessárias somente para tirar o visto.

Ao contrário do que muita gente pensa, imigrar não acontece somente quando chegamos aqui, o processo é bem mais complexo do que se imagina. Precisamos de tempo para cortar os vínculos com o Brasil, preparar a família a vai (nossos filhos) e a que fica (nossos país), vender bens e dar um jeito de manter as coisa no equilíbrio até sairmos de vez do país. Tudo isso fica mais complicado quando se tem mais de 40 e uma vida toda construída.

Tendo dito isto, o dinheiro que você gasta com esses serviços de consultoria chega a ser muito barato só pelo tempo livre que ele dá. Para exemplificar isso, tenho um amigo contemporâneo que teve o visto negado fazendo por conta próprio. Final das contas, ele acabou pagando duas vezes mais caro para resolver isso, pois a consultoria terá mais trabalho para reverter o caso e as taxas consulares já pagas não voltam.

Meu conselho é, se pode pagar, invista em uma boa ajuda profissional. E digo mais, pessoas que culpam consultorias por seus insucessos no processo de imigração geralmente são as que mais fogem dos planos indicados por elas. Sei que isso parece um grande jabá, mas é verdade. Seguimos uns bons 85% do que foi indicado e até agora o plano tem dado certo.

Acredite, tentei conselhos com amigos próximos aqui no Canadá, mas ninguém estava disposto a dar uma de consultor de imigração só porque é seu amigo, eles já estão em outra fase no processo deles e a vida aqui é bem mais corrida. Só depois que imigrei é que percebi como isso é verdade.

Leia também: “Custo de vida no Canadá: Seu guia”

Na verdade não há uma receita de bolo para imigrar, o que existe é um conjunto de fatores como: bom planejamento, um pouco de sorte e preparo financeiro. Em minha idade e fora dos programas econômicos como Express Entry, ter um bom capital de reserva e sobretudo um boa gestão dele, garantiu boas noites de sono no primeiro aqui. 

Processos de imigração alternativos para quem esta acima dos 40 anos 

O Canadá possui mais de 80 processos de imigração possíveis, mas poucos estão disponíveis para nossa faixa etária. Dependendo de seu perfil, você pode entrar aqui através do processo federal pelo sistema de seleção Express Entry, através de programas para refugiados (muito difícil), imigrar como investidor (muito caro e arriscado), imigrar através de projetos pilotos para áreas de saúde e tecnologia (tem de ser o cara), imigrar através de províncias como o Quebec (viável se topar o francês) e os PNP (Viável para quem vai ficar fora dos grandes centros) além de muitos outros.

Indo direto ao ponto, minha escolha foi o PEQ Estudo e Trabalho. Primeiro porque escolhi Montreal para morar entre todas as cidades que visitei. Segundo, por motivos mais pessoais que profissionais. Com muitos amigos já estabelecidos na cidade minha chegada e adaptação seria mais fácil. O fato de minha esposa já ser fluente no francês foi ponto importante, e quem é casado sabe como é, se sua mulher decidir algum coisa, não tem jeito.

Com relação as nossas filhas, não tinha duvidas que morar em uma cidade bilingüe traria benéficos para sua educação, assim eu mataria dois coelhos com um tiro só. Também levei em consideração que Montreal possui uma das melhores infraestruturas educacionais de nível superior do Canadá.

Por fim, o jeitão mais descolado da cidade nos cativou bastante, afinal, somos quarentões, mas gostamos de agito. Viver numa cidadezinha do interior do Canadá com pouco mais de 5 mil habitantes não era nossa opção nem no Brasil. Não que isso seja um problema para algumas pessoas, mas em nosso caso em especial sim.

Escolha do Programa de Experiência do Quebec (PEQ)

Para os que já acompanham o blog da Neway e trabalho do André Salles, fica fácil juntar as peças. Cidade de Montreal e casal imigrando onde um dos cônjuges fala francês, não é difícil imaginar que escolhemos a dobradinha estudo e trabalho através do PEQ. 

Esse é um dos poucos programas que não excluem você em razão da idade, ele leva em consideração apenas sua experiência adquiria tanto no estudo como no trabalho e é claro, o seu francês.

Mas não vou me estender falando sobre o PEQ, você pode ler sobre ele neste outro post aqui “PEQ: Por que esse programa atrai tantos imigrantes para o Canadá?”

Sendo assim, decidimos eu iria estudar e ela trabalhar, já que minhas deficiências no francês iriam limitar minhas oportunidades de trabalho no Quebec. Além disso, o fato de eu me formar na área onde já atuava no Brasil iria me render alguns pontos não só no programa PEQ, mas também abrindo portas no mercado aqui.

Falando do custo do projeto, não vou mentir, tipo de processo custa mais caro sim, pois pagar um College por um ano e ainda segurar a despesa da família até os dois estejam trabalhando exige um planejamento muito bem feito. Tenho amigos que venderam tudo no Brasil antes de vir e gastaram até o ultimo centavo antes de estarem empregados aqui. Esse foi um risco que não estava disposto a correr.

Vida de estudante internacional depois dos 40

Sim meus amigos, eu, aos 43 anos (quando cheguei em novembro de 2018), com currículo de mais de 10 anos no setor de TI em empresas de peso em meu estado e uma trajetória de 10 anos como empresário no Brasil, me vi em uma sala de aula dividindo um banca de estudo com jovens dos quatro cantos do mundo.

Se foi difícil? no começo sim, pois por mais que tenhamos jogo de cintura com a experiência profissional adquirida ao longo dos anos, por mais que tenhamos um certo traquejo na comunicação, seu time se comunicar em outra língua é outro se comparado aos mais jovens, principalmente nos primeiros meses.

Minha sala de aula era o que se podia chamar de multicultural de raiz. Éramos 30 alunos, distribuídos em faixas etárias que iam dos 17 aos 47. Estimo que pelo menos 60% dos alunos estavam entre 21 e 30 anos. Apenas eu uns poucos colegas passavam dos 40, e mais uma vez, éramos uma minoria.

Posso dizer que a experiência foi ótima para o meu crescimento pessoal e profissional, uma vez que a dinâmica na comunicação foi algo que melhorou significativamente meu inglês, já que eu podia pratica-lo com Mexicanos, Hondurenhos, Colombianos, Iranianos e até Camaronenses, um verdadeiro desafio de sotaques.

Leia também: “College ou Universidade no Canadá: Qual caminho seguir?

Além disso, compartilhar minhas experiências profissionais com professores e colegas mais jovens sempre me colocava numa posição de respeito. Jamais me senti hostilizado ou constrangido por meus colegas nos momentos onde meu tempo de resposta no idioma não era tão rápido como deles. É preciso encarar o College como uma fase no processo de imigração que vai ajuda-lo a preparar para o que esta por vir.  

Conciliando estudo e trabalho no Canadá

Em meu programa de estudos havia a possibilidade de trabalhar 20 horas por semana no regime part time, mas isso não foi possível para mim. Como minha esposa precisava trabalhar, dar conta da casa e filhos em fase pré-adolescente, ainda se adaptando aqui, me fez rever algumas coisas, então tive de assumir essas atribuições, já que, teoricamente, eu tinha mais tempo do ela. Quer dizer, quase isso.

Minha rotina da semana incluía um College das 8:30h até as 16:30h de segunda a sexta, mais um curso de francisação (curso de francês de 3 horas) 4 dias na semana depois sair do College. Se esta achando fácil, adicione o fato de que você precisa fazer mercado, cozinhar e lavar roupa nos finais de semana até o final do seu curso.

Também fizemos uma má escolha ao morar em uma cidade fora de Montreal, longe de meu curso e de serviços como supermercado. Eu levava duas horas e meia me deslocando no transporte publico todos os dias e isso tirava uma boa parcela do meu tempo. Só compramos carro depois de uns 3 meses, mas confesso que deveria ter feito antes. Se for morar fora dos grandes centros esqueça essa conversa fiada de que não precisa de carro para morar viver no Canadá. Inclua isso em seu orçamento ainda no Brasil, pois fazer as coisas no inverno sem esse conforto pode ser bem difícil.

Gerenciando gastos durante o processo

Como minha esposa estava trabalhando e nós havíamos feito um boa reserva, deu para seguir como plano por aproximadamente um ano de curso até que eu pudesse começar a trabalhar ao final do programa de estudo. 

Acredito que a essa altura do texto provavelmente vocês devem estar se perguntando porque esse cara escolheu um curso em inglês para trabalhar em um lugar onde se fala francês. Calma! O curso foi de suporte em redes. Mas porque em inglês? Por razões óbvias, em razão de meu francês ausente.

E como eu conseguiria um emprego no Quebec falando somente inglês? A resposta é simples, Montreal é 65% bilingue e empregos na area de TI são mais tolerantes ao francês pouco fluente, mas isso eu já tinha checado com meus amigos que moram aqui antes de fazer essa escolha. Além disso, o governo paga para você estudar francês através de um programa chamado francisação. Se você e sua esposa fizerem, o valor pode chegar a uns quase CAD 400,00 por mês.

Leia também: Montreal é bilíngue?

Se eu teria feito deferente? Definitivamente sim. Lembra daquela parte do texto onde menciono que segui o plano da consultoria “QUASE A RISCA”? Pois é, estudar francês no Brasil antes de vir foi a parte do plano que eu não segui. Sei não adiante chorar pelo leite derramado, mas eu tivesse estudado um pouquinho, meu processo de imigração estaria agora bem mais adiantado, mas isso são águas passadas e eu ainda estou no jogo, é isso que importa.  

Trabalho no Canadá

Antes de falar um pouco sobre minha experiencia acho importante mencionar que a escolha da cidade onde vai morar tem um peso muito grande em suas expectativas de sucesso profissional, dessa forma, Montreal, mesmo sem eu falar francês, ainda era uma boa alternativa para mim. Também acho importante deixar claro o meu plano não deve e nem pode ser usado como referência, pois são muitos fatores envolvidos numa imigração.

Leia também: “Quebec: Por que escolher esta província para imigrar?”

Mas vamos deixar de enrolação e explicar como eu arrumei um emprego. Pois bem, logo depois que me formei, comecei o estágio obrigatório de 6 meses semanas exigido por meu curso, um DEP (Diploma de estudos profissionais) com 1800 horas.

Depois de concluir o estágio, recebi uma proposta de contrato full time como desenvolvedor web na mesma empresa. Se foi difícil? Posso dizer que tive sorte, empregos na área de TI possuem mesmo uma demanda enorme no Quebec, mas eles não são os únicos. Uma das coisa que me ajudaram, foi o fato de eu ter muita experiência nessa área com alguns projetos funcionando no Brasil. Isso serviu como meu portfólio.

Se é fácil trabalhar por aqui? Sim, idade, gênero, cor, religião, nada disso importa aqui, Tanto que é regra geral em aplicações para empregos não mencionar sua idade ou incluir fotos em seu CV, eles consideram isso uma prática discriminatóia no mercado de trabalho.

Pegar no pesado logo de cara ou esperar aquela vaga dos sonhos

Se toparia trabalhar com qualquer coisa? Confesso que estava pronto para encarar qualquer trabalho, pois trabalho é trabalho e custo de vida aqui é relativamente alto para ficar torrando sua reserva. Lavar pratos, entregador ou coisas do tipo não estavam fora de cogitação. O salário mínimo aqui dá conta das despesas básicas e os dois estivem trabalhando dá para ter um equilíbrio.

Trabalhar em qualquer coisa pode ser uma porta para outros empregos, já que para se obter a tal experiência canadense, você precisa de pelo menos 3 meses num contrato de trabalho. Depois disso, você já tem alguma referência para sair de um emprego para outro. Tenho amigos aqui que trabalharam na construção civil fazendo quase o dobro do que eu ganho aqui no setor de TI para botar, literalmente, a mão na massa.

Como o próprio André Salles costuma falar, “trabalho tem demais, emprego já é outra história”. Mas tem trabalho e emprego sim e muito, basta ver a quantidade de vagas oferecidas em sites de emprego por aqui. Apenas esteja ciente de que postos de trabalho onde a qualidade do serviço não seja braçal, exigem um bom idioma e formação técnica a altura e isso não algo que todo imigrante pode ser dar ao luxo logo que chega.

Vale apenas uma ressalva quanto o programa PEQ, na época em que eu fiz o meu processo, não era necessário sequer trabalhar para aplicar para o Certificado de Seleção do Quebec (CSQ), hoje isso não é mais possível, então trabalhar com qualquer coisa pode não ser uma boa estratégia para imigrar hoje.

Todavia, se você é daqueles que pensa que cachorro velho não aprende truque novo, é ai que você se engana. Durante minhas 1800 horas de curso, fui um aluno muito dedicado e bem relacionado com os professores. Isso me deu alguns pontos e me ajudou bastante no chamado networking.

Todos os meus amigos do College estavam sempre dispostos a ajudar, fazendo uma indicação para vagas de trabalho onde eles mesmos já estavam empregados. Tenha em mente que se relacionar é fundamental, mesmo que não domine o idioma como gostaria.  

Filhos pré-adolescentes e a mudança de país

Esse é um ponto que deve ter bastante atenção, pois por mais que os prepare, tira-los da zona de conforto em plena transição de infância para adolescência não é fácil. Viemos para cá com filhas gêmeas de 13 anos (hoje com 15), e no começo do processo de adaptação tivemos alguns problemas com a escola, nada ligado a questões de ensino, mas sim ao ambiente escolar.

As escolas no Canadá possuem um padrão de qualidade, que se comparado ao Brasil, pode causar um certo estranhamento em alguns aspectos. Deixando claro que não se trata de uma educação inferior, apenas diferente do que estamos acostumados. As prioridades são outras assim como a metodologia.

Venha de mente aberta para um High School aqui. Eu mesmo só comecei a entender isso melhor depois de primeiro ano, mesmo com todos os meus amigos brasileiros falando que era normal. Meu conselho, pesquise o máximo que puder sobre escolas antes de vir, isso vai ajuda-lo a escolher bem o bairro onde vai morar e fazer toda a diferença. Não fizemos isso e me arrependo. Graças a Deus, deu tempo de corrigir e hoje estamos muito bem com essa questão.

Tenha em mente que casais jovens imigram geralmente sem filhos ou com filhos ainda muito pequenos. Nessa fase, não há tanta dificuldade de achar um lugar para morar, mas para quem tem filhos com mais 10 anos, as coisas já complicam um pouco.

No geral, depois do primeiro ano, os filhos pegam o ritmo e nem lembram mais das ansiedades de enfrentar uma sala de aula cheia de gringos aos 13 anos. Em pouco mais de ano pude ver os efeitos maravilhosos da educação internacional em uma cidade bilingue como Montreal, agora ambas são trilingües, falam, leem e escrevem em 3 idiomas. Essas coisa fazem você refletir sobre a escolha do Canadá para morar.

Não vou me alongar mais nesse tema, pois acho que isso é assunto para um tese de mestrado, de tanto que há para se discutir. Assim que puder eu irei escrever sobre o tema, prometo.

Concluindo

Depois de todo esse blá blá blá, acho que agora posso responder se imigrar para o Canadá depois dos 40 anos é mesmo viável? Caro leitor, é evidente que sim, apenas esteja certo de que não há ganho sem perdas, e que todo projeto de imigração tem riscos, por menores que eles sejam.

Hoje vivemos em Montreal com conforto e segurança, e em alguns aspectos, até melhor que no Brasil, mas tudo depende de seu ponto de vista. Se ter uma empregada doméstica ou jantar “todos” os finais de semana com a família em um bom restaurante é algo indispensável para você, meu conselho é, pense muito sobre o assunto antes de imigrar, pois tenho amigos quarentões como eu que voltaram para o Brasil depois de um ano. Em minha opinião, eles estavam muito presos ao estilo de vida brasileiro, onde ser servido é muito mais fácil e acessível.

E nem vou falar sobre os tópicos mais óbvios como: Como é viver abaixo de zero ou sobre as diferenças culturais de nosso país. Para resumir, o Canadá é frio sim, mas nada que uma boa cerveja com os amigos não resolva. Os 4 meses de inverno passam muito rápido se sua vida anda aqui. Os canadenses são mais frios no relacionamento? Claro que sim, são descendentes de ingleses e franceses, você queria o que? Samba no pé?

Brincadeiras a parte, eles são um povo amistoso e receptivo com imigrantes. E a falta de mão de obra explica muito bem isso. Particularmente, eu nem me sinto tão peixe fora d’água aqui, tem tanta gente como eu aqui, que em certos bairros é até difícil achar um canadense de verdade.

Nossas experiências em quase dois anos de Canadá dariam facilmente um pequeno guia de sobrevivência e certamente voltarei a compartilha-las quando puder. Escrever toma muito tempo e, definitivamente, não é o meu forte.

Espero que tenha ajudado aos meus compatriotas contemporâneos com um pouco de minha experiência aqui. Caso alguém queria saber como levamos a vida aqui Montreal vocês podem conferir em meu perfil no Instagram @marcolrvasconcelos (ele é público)

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